Esta seção pretende trazer à sua reflexão aspectos muito importantes para a sua qualidade de vida. Por isso, destacaremos aqui, matérias e entrevistas sobre saúde, meio ambiente, lazer, e benefícios do bem estar e bem viver para a sua qualidade de vida.
Advogados e qualidade de vida

Muitos profissionais vivem para trabalhar e esquecem os cuidados com a saúde. Você se encaixa neste perfil?
Falta de tempo, trabalho em excesso, competitividade, relacionamentos superficiais e algumas doenças são características da vida moderna. Nunca se falou tanto em qualidade de vida e ao mesmo tempo parece ser cada vez mais difícil encontrar o caminho para viver bem.
Para a Organização Mundial de Saúde (OMS), qualidade de vida é a percepção do indivíduo sobre seu lugar no mundo, na cultura e no sistema de valores em que vive e em relação aos seus objetivos, expectativas e padrões.
Hoje, a maior parte do tempo é dedicada ao trabalho, seja por vontade ou necessidade. Há algum tempo, o plano de carreira era associado apenas a aspectos da vida profissional. Normalmente a carreira era desenvolvida em
uma única empresa, com passos certos e previsíveis. Atualmente, a profissão é associada a todos os âmbitos da vida, inclusive o pessoal.
O problema é que a dedicação excessiva ao trabalho faz com que muitos deixem de lado cuidados com a saúde, lazer e momentos de descanso.
A pessoa começa a sentir-se sobrecarregada, com compromissos em excesso, passa a ser exigente e crítica consigo mesma. Para o Dr. Carlos Greca de Macedo, clínico geral e geriatra, a principal consequência dessa falta de cuidado com a saúde é a somatização do estresse e a depressão, junto a um processo paralelo de sintomas: insônia, cansaço, aumento da ansiedade e apetite, perda de memória, irritabilidade. Gastar energia ou fazer muitas coisas ao mesmo tempo, bem como deixar de fazer o que tem um objetivo real é uma dispersão, o chamado Complexo de Atlas, de querer carregar o mundo nas costas.
O Complexo está intimamente ligado ao estresse, que atinge cerca de 60%
da população mundial, e no Brasil afeta 40 milhões de pessoas. Para Dr. Carlos, todo o cidadão do século XXI tem esse Complexo. “A pessoa dedica-se muito ao trabalho e acaba esquecendo-se de si mesma”, afirma. Nesta época exigente, com tantas pressões e estresse, é preciso investir energia e tempo para alcançar qualidade. Todas as esferas da vida precisam de equilíbrio, mas muitas delas parecem conflitar entre si: família, finanças, saúde, vida espiritual, seleção das informações necessárias e muitas outras exigências de tempo e energia.
Quando chega a este ponto, pela própria percepção ou por incentivo de outros, alguns compreendem que é preciso uma grande mudança. O problema é que alguém acostumado a agir sempre da mesma forma tem dificuldade em mudar, até porque a atitude antiga, embora não seja confortável, é conhecida. Porém, existem muitos que percebem que é importante se permitir novas posturas, pois atitudes semelhantes levam a resultados semelhantes. Uma das mudanças urgentes é a desaceleração.
A sociedade deixou-se tomar pela competitividade, consumismo, sucesso, carreira, rentabilidade, eficiência e esqueceu-se de valores simples como relacionamento, tradições, respeito, criatividade, vida em família, alimentação equilibrada, natureza, trabalho com prazer. Dr. Carlos alerta que é preciso que cada um organize seu tempo para ser feliz e ter saúde física e mental.
A plena realização profissional requer atitudes conscientes e equilibradas, movidas pelo sentimento de amor por si mesmo, e não pelos instintos de sobrevivência, condicionamento consumista ou fatores emocionais. Por isso, é importante prestar atenção aos limites do corpo e da mente.
Um exemplo deste perfil é Rosi de Oliveira Dequech, advogada, que trabalha desde os 15 anos. Em 1999, exercia cargos de muita responsabilidade em oito instituições diferentes, sempre atuante e dedicada. Em setembro de 2007, ela percebeu que sua qualidade de sono e alimentação não eram adequadas, tanto que o fato não passou despercebido por seus colegas. Com o acúmulo de atividades, sentia cansaço, dor de cabeça, desconcentração e baixa imunidade. “Com tantas funções que desempenhava, acabei esquecendo de mim”, declara a advogada.
Seu pai, Jonas Salomão Dequech, era advogado e atuou durante 40 anos. Teve o primeiro enfarte aos 47 e o segundo, fulminante, aos 65 anos. “Ele não tinha folga e não aproveitou a vida por não se cuidar”, conta a filha. Ela viu que estava indo pelo mesmo caminho e resolveu tomar uma atitude. Com ajuda da família e amigos decidiu se cuidar. Começou procurando por um médico.
O primeiro passo sugerido foi um tempo de descanso. Então passou a se alimentar de maneira saudável e praticar exercícios adequados ao seu perfil, como a hidroginástica. Além dos benefícios orgânicos, a atividade física estimula a criatividade e a inteligência, promovendo o bem-estar.
Ela ficou um ano e meio afastada de algumas atribuições, em um período de adaptação, mas sentia falta do trabalho. Em março de 2009, a advogada retornou a todas as atividades, porém em ritmo menor. “Hoje eu vejo que é preciso estabelecer prioridades, planejar e ter hábitos saudáveis. Aprendi, com apoio da família, dos colegas e por orientação médica, que o corpo e a mente em equilíbrio dão maior vigor para a dedicação ao trabalho, pois quanto melhor estamos, mais eficazes somos”.
Outro exemplo é Álvaro Kalil Gonçalves, advogado e sócio-gerente de uma administradora de imóveis. Durante 29 anos sua vida foi voltada unicamente para a profissão. “Eu esquecia de me avaliar no dia-a-dia, em todos os sentidos”, declara. Com grande carga de trabalho e sem descanso, a saúde foi prejudicada, devido ao sedentarismo, falta de critério na escolha dos alimentos, tabagismo, ingestão de bebida alcoólica e ansiedade excessiva. Não respeitava seus limites, causando preocupação a quem estava a sua volta, principalmente sua esposa.
O momento da mudança foi quando, por indicação do cardiologista, fez exames que o levaram a submeter-se a uma cirurgia cardíaca de revascularização aos 48 anos. Nesse momento, Álvaro teve consciência da importância de mudar seu estilo de vida. Começou a praticar exercícios, escolher alimentos integrais, frutas, verduras, diminuiu a ingestão de carne vermelha e gordura e passou a tomar dois litros de água por dia. “Com a nova rotina me senti mais seguro. Melhorando a auto-estima, consegui me harmonizar cada dia mais, aberto a mudanças e colaborando com os outros. Agora conheço meus limites e sei a hora de parar e reavaliar minhas atitudes”, afirma o advogado.
O principal para uma vida em equilíbrio é o bom aproveitamento do tempo. Dedicação ao trabalho e a si mesmo, alimentação equilibrada, rotina de sono regular e acabar com maus hábitos são excelentes atitudes para manter a saúde e o animo.
CAA/PR APOIA PESQUISA SOBRE QUALIDADE DE VIDA
Pensando em qualidade de vida, a Comissão da Mulher Advogada da OAB/PR, com o apoio da CAA/PR, diponibiliza na página da internet uma pesquisa que deverá revelar os hábitos de vida dos advogados paranaenses. A pesquisa de opinião foi elaborada com base numa metodologia científica internacional, certificada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em mais de 20 idiomas. Quanto maior o número de questionários respondidos, maior a base de dados coletados para justificar com precisão medidas futuras a serem tomadas em benefício da própria advocacia. Participe! www.oabpr.org.br
Atitudes cotidianas
• Segundo a OMS, a principal atitude é seguir a regra das 8 horas: 8 horas de trabalho, 8 horas de sono e 8 horas com a família e para si mesmo.
• Estabelecer objetivos em curto prazo estimula a fazer coisas novas.
• Refletir e ter um dia só para você, fazer uma pausa e descansar a mente.
• Aprender a dizer não. Quem não respeita seus limites produz menos.
• Desenvolver o senso de humor.
• Ser um pouco mais compreensivo com si mesmo, pois a autocrítica pode destruir a confiança.
• Construir relações verdadeiras e significativas na vida emocional, ser você mesmo e respeitar o outro em sua individualidade.
• Descobrir se produz melhor de manhã ou à noite. Refletir sobre isso é importante para descobrir a melhor forma de encarar os desafios do dia-a-dia.
• O resultado de uma boa alimentação está diretamente relacionado à saúde e ao bem-estar.
• Praticar exercícios adequados com freqüência.
• Descobrir atividades que agradem e sejam relaxantes e reservar algumas horas na semana para dedicar-se a elas.
O principal para uma vida em equilíbrio é o bom aproveitamento do tempo. Dedicação ao trabalho e a si mesmo, alimentação equilibrada, rotina de sono regular e acabar com maus hábitos são excelentes atitudes para manter a saúde e o animo. Dr. Carlos afirma que o melhor é “organizar o tempo e seguir a regra das 8 horas”. Rosi Dequech gosta muito do que faz e hoje sente mais disposição. Alerta aos colegas que é importante refletir sobre como estão lidando com a saúde, antes que o próprio corpo peça uma parada. Álvaro Kalil revela que hoje percebe mais o que se passa consigo e com os outros, o que proporciona escolhas mais conscientes. “Consigo viver com mais simplicidade, fazendo o que me dá mais prazer. Se eu estiver vivendo em harmonia com todos a minha volta, isto refletirá positivamente na minha vida profissional e pessoal”.
Complexo de Atlas
É a tendência instintiva de acumular responsabilidades e tensões em cima dos ombros, carregar o seu mundo nas costas, como o gigante da mitologia grega. Quem sofre desse Complexo transfere as preocupações e inseguranças para a musculatura do pescoço, como faziam os ancestrais para se proteger. Essa reação desgasta a coluna cervical e a lombar, provocando dores crônicas, nervosismo, tensão generalizada, bruxismo e insônia.
Na mitologia grega, Atlas é um gigante condenado por Zeus a carregar o mundo nas costas. Atlas também é o nome da primeira vértebra da coluna cervical, que sustenta o peso da cabeça. É a melhor imagem para descrever o estresse contemporâneo: os desafios são modernos, mas a reação é bem primitiva. ‘Carregar o mundo nas costas’ custa um preço alto e raramente traz benefícios. Quando Atlas morreu, o mundo continuou exatamente no mesmo lugar, sem precisar de suporte.
Fonte: Revista Leia, da Caixa dos Advogados do Paraná
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